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Falar que está procrastinando é o mesmo que dizer que está enrrolando pra fazer algo. O Wikipédia explica melhor.

Sim, estou procrastinando mesmo tendo quilos de coisas pra fazer. Pode parecer muito fácil dizer “Vai, menina! acaba com isso logo! Para de enrrolar!”… é fácil de dizer, mas não é fácil de fazer.

Este post é a maior prova da minha procrastinação. Eu deveria estar estudando pra uma prova de amanhã, mas resolvi escrever um post sem pé nem cabeça nesse blog fadado ao abandono e ao esquecimento por parte dos meus inexistentes leitores.

O problema é que nenhuma dessas coisas que eu enho a fazer me é agradável, embora eu, de certa forma, tenha escolhido esse caminho. Estou cansada, exausta, cheia de planos na cabeça e de obrigações nas costas.

Ainda bem que 2009 está acabando. Quero um pouquinho – mas só um pouquinho mesmo – de sossego.

Hoje começa a última Semana Infernal do ano.

Pra quem não convive tanto comigo e não tem noção da vida acadêmica enlouquecedora que eu tenho, Semana Infernal é aquela maldita semana na qual eu tenho que entregar todos os trabalhos e fazer todas as provas de DUAS faculdades. Pra piorar um pouquinho, a Semana Infernal deste bimestre vai se estender até o meio da semana que vem.

A única coisa que eu desejo hoje é que essa meleca acabe logo e eu possa voltar a dormir mais de 5 horas por noite.

Aqui fica a to do list da 4ª Semana Infernal de 2009. Vou riscando conforme as coisas forem eliminadas:

Trabalho de Fotojornalismo

Prova sobre o livro “1968 – o ano que não acabou”

Trabalho de História Contemporânea I

Trabalho de Filosofia

• Prova de Elementos de Linguística II

Prova de Introdução aos Estudos Clássicos II

Prova sobre os livros Cibercultura e Softwere takes command

Prova de Sociologia

• Pacote de exercícios de italiano (com redação!)

Espero sobreviver. Nem que seja a base de RedBull e café.

A 4ª Semana Infernal 2009 é um oferecimento de Cásper e USP, enlouquecendo minha vida desde fevereiro.

PS – Este é só mais um post semi-desesperado de uma estudante a beira de um ataque de nervos.

Sou uma primeiro anista de jornalismo e minha professora de Língua Portuguesa pediu um trabalho que me tirou o sono. Ela queria que nós – eu e os outros quase cem alunos – escrevêssemos uma crônica. Teve gente que adorou a tarefa, mas eu achei péssima. Não porque a proposta fosse ruim, mas porque eu nunca pensei que teria que escrever uma crônica. E essas coisas inesperadas são, geralmente, perturbadoras.

Para começar, eu sou extremamente chata com o que escrevo. E qualquer crônica que eu escrevesse não ficaria legal o suficiente para me agradar e, mais importante, agradar a tal professora. Ela disse que crônica não pode ser um texto chato. E aí, como saber se ela vai achar chato ou não? Cruel.

Outro problema em fazer a tarefa ingrata: eu comecei a ler crônicas com uns nove anos. Não porque fosse uma menina prodígio ou uma nerd infantil, nada disso. Como toda pré-adolescente que quer parecer descolada, eu lia a revista Capricho. Nessa época, o Antonio Prata (que é filho do Mario Prata, o escritor famosão) escrevia crônicas na última página da revista. E eu adorava. Como ele escrevia quinzenalmente, eu comprava a revista a cada duas semanas. Obviamente eu também lia as matérias de moda, dos menininhos bonitos da Malhação, o horóscopo e fazia os testes. Mas os textos do Antonio Prata eram demais. Nunca fui uma pessoa de ficar juntando coisas, mas eu recortava e guardava todos os textos em uma pasta com elástico.

Depois de um tempo, descobri que quem escrevia na página do Antonio Prata quando não era a semana dele era a Liliane Prata. Diferentemente do Antonio, a Liliane não tem nada a ver com o Mario Prata. Só o sobrenome, óbvio. Eu comprei a revista na semana dela por engano e gostei do texto. Passei a comprar todas as semanas.

Depois de alguns anos e de gastar muitos dinheirinhos com a revista, passei a ler as tais crônicas pela internet. Acabei descobrindo outros cronistas e alguns blogs bem interessantes. Embora isso seja extremamente enriquecedor, quanto mais eu leio, mais ingrata fica sendo a tarefa de escrever a crônica. É quase desesperador. Além de tudo isso, a professora que encomendou esse trabalho tem um acervo imenso de crônicas falando sobre coisas relevantes e nem tão relevantes assim. Mas são todas bem escritas, tiradas de grandes jornais e assinadas por nomes importantes. E agora ela vai ler a minha.

Dizem por aí que quando você não pode vencer um inimigo, o melhor a se fazer é juntar-se a ele. Eu segui o conselho popular e, como diz José Simão, juntei-me à minha heroica e mesopotâmica missão. Escrevi sobre o que eu não sabia escrever. Não tenho muita certeza se esta é uma crônica do tipo que a professora acha legal ou não, mas só descobrirei daqui a alguns dias, quando ela me entregar essa folha com uns riscos de caneta e uma nota estampada. Enquanto isso eu continuo a ler os Prata e a rezar para não ter que escrever outra crônica tão cedo.

 

 

PS – Ainda não sei se essa coisa é uma crônica, mas a tal professora gostou bastante.

Quem me conhece sabe o quanto eu gosto do Rio de Janeiro, mesmo sendo paulistana nascida e criada na Paulicéia.

O que aconteceu hoje no Rio foi lamentável. Desculpem, falei errado. O que ACONTECE no Rio é lamentável. O problema foi que hoje a desgraça foi absuda e impensável. Pra quem não sabe do que se trata, leia aqui, aqui e aqui.

Bom, os jornais falam melhor do que eu e esse post só está aqui porque, ao ouvir uma das geniais música do CD Pré Pós Tudo Bossa Band, da Zélia Duncan, eu me dei conta de quanto a tal música é perfeita pros acontecimentos.

A música chama-se Braços Cruzados e foi composta pela Zélia em parceria com o Pedro Luis. Não achei nenhum vídeo na internet, mas mando a letra.

Transe de violência
Vaidade demente
Guerras à nossa espreita
Restos à nossa frente
Que ferramenta
Eu uso pra viver?
Como é que eu faço
Pra ajudar você?
Desligo a TV
Pra que as crianças
Não achem normal
Todo dia matar , morrer
Mas sobre o futuro, o que eu vou dizer?
Alguém aqui acredita
Que não tem nada com isso?
Será que nada tem vínculo
Tudo é por acaso?
Mas quem é que joga os dados
Deus ou seus diabos?
Quem decide qual o lado abençoado?
Deus ou seus diabos?
Será que nenhum de vocês
Sabe falar português?
Então, em nome da nossa dor
Eu exijo um tradutor
Alguém de carne e osso
Alguém em quem se possa confiar um pouco
Eu quero menos abandono, mais cuidado
Cristo Redentor
Eu vi seus braços cruzados, tudo é ilusão
Ando pelas ruas tem de tudo, menos solução
Fecho os vidros, fecho a casa
Mas a alma não tem trinco, tá escancarada
Fecho a minha roupa, fecho a minha cara
Mas a alma não tem trinco
Nem defesa, nem nada.

——

Eu só queria ouvir essa música sem ter que lembrar de fatos reais. Queria que fosse só música, mais nada.

Eu sempre fui muito organizada. Meu armário tem as roupas separadas por cores, as gavetas são divididas por assuntos, o computador tem as pastas todas certinhas e tal. Eu sempre sofri com a síndrome de Monica Geller [se vc não sabe quem é Monica Geller: 1) Você nunca viu Friends e não sabe o que a TV tem de melhor / 2) Dê um google em 'Monica Geller' e descubra que ela é a personagem de Friends que é maníaca por organização].

O problema é que de um tempo pra cá as coisas ficaram muito mais corridas na minha vida e não é sempre que dá pra organizar as coisas do jeito que eu quero/gosto/preciso. Ai eu começo a juntar as coisas bagunçadas que precisam ser organizadas. Por essa categoria ter crescido muito, ela tornou-se maior que as outras.

Essas coisas são fotos a seres colocadas no orkut (em que álbum colocá-las?), blusas que não são nem de frio nem de calor (em qual gaveta colocá-las?), infinitos papéis desconexos (em que pasta colocá-los?) e tantas outras coisas que pura e simplesmente não possuem um lugar para elas.

Hoje eu resolvi acabar com essas “coisas a serem organizadas” e cheguei à triste conclusão de que não vou conseguir. Posso até diminuir a quantidade de coisas, mas tem uns itens que não se encaixam em categoria nenhuma. Ai eles são obrigados a ficar junto com os outros itens sem categoria.

E essa categoria “sem categoria” acaba sendo igual a “coisas a serem organizadas”, mas disfarçada sob um outro nome.

Um dia, quem sabe, eu consiga categoria pra tudo.

Enquanto isso eu enlouqueço procurando.

Em uma madrugada qualquer sem ter o que fazer, resolvi bisbilhotar os álbuns mais remotos do meu orkut e achei o álbum do ballet. O coração ficou apertadiiiinho. Lotado de saudade, de histórias e de memórias. E de saudade.

Saudade de fazer coque todo dia e de reclamar que aquela quantidade enorme de grampos destruía o meu cabelo.  Saudade de colocar aquela roupa feita pra gente extra-magra (eu nunca fui extra-magra, vale ressaltar), olhar no espelho e me sentir a mais gorda do mundo das gordas. Saudade de colocar umas camisetas velhas e umas calças rasgadas por cima da roupa do ballet pra tentar disfarçar o que estava fora do lugar (ou seja, tudo).

Saudade do cheio de chulé do vestiário. Saudade da bagunça dos camarins. Saudade da tortura que era colar os cílios pra dançar. SAUDADE DE DANÇAR. Saudade do cheiro do breu, do talco da ponteira, da meleca de base-nuget pra pintar as pontas. Saudade de furar o dedo costurando sapatilha. Saudade dos ensaios de sexta a noite que acabavam depois das 23h, do stress maluco em véspera de festival. Saudade de viajar pra festival. Saudade daquele nervosismo enlouquecedor que eu ficava antes de sair resultado de premiação e do entusiasmo mais enlouquecedor ainda quando a gente ficava sabendo que o 1º lugar era nosso.

Saudade de acordar e pensar: hoje tem espetáculo. Saudade das aulas de barra à terre que me deixava dolorida por uma semana, do jazz, do sapateado. Saudade de passar as férias inteiras na Fama e das conversas intermináveis na recepção. Saudade das bolhas, dos machucados, dos cortes e das dores intermináveis (ok, disso eu não tenho saudade nenhuma). Saudade do único dia da minha vida que eu fiz os 32 fouettés (mal e tortamente, é verdade. Mas eu fiz. E chorei de alegria quando cheguei em casa) e de alguns dias que eu fiz pirueta tripla.

Saudade do 7º e do 8º ano com as insuportáveis aulas de Royal. Saudade de matar aula de Royal pra ficar na padaria conversando. Saudade de estudar na sala 5 porque teria prova no dia seguinte. Saudade das sextas que as aulas começavam as 15h e acabavam depois das 22h.

Saudade da formatura, de todos os preparativos e toda a correria. Saudade da cerimônia de formatura, quando eu chorei silenciosamente cada vitória minha pra estar lá naquele dia.

Saudade do dia que fiquei sabendo que eu seria uma das protagonistas de um ballet cômico. Mais saudade ainda do dia que eu fui pro palco com a tal personagem e ouvi a platéia gargalhar com o que eu fazia. Saudade daquela gente toda me elogiando. Saudade do palco e do linóleo escorregadio que tinha que passar álcool pra melhorar. Saudade da coxia, das trocas de roupa em velocidade relâmpago e de todos os ‘merda’ que eu já falei e ouvi na vida.

Saudade dos abraços, das orações, da energia.

Saudade da Betina, da Luiza, da Guga, da Mima, da Tita, da Pati, da Gabi, da Flavia, da Hare, da Bambini e da Giba.

A saudade que eu senti vendo as fotos e escrevendo esse texto só me prova que só se sente saudade do que é bom, do que nos fez bem, das pessoas que fizeram a diferença na nossa trajetória nesse mundo. Foram muitas lições aprendidas… muito além de lições de ballet, lições de vida. De perseverança, de amizade, de esforço e empenho pra atingir um objetivo mesmo que as condições não sejam favoráveis.

Queria estar com as pessoas que fazem parte disso. O mundo deu muitas voltas, cada um tomou o seu rumo, mas tem uma frase do Vinícius de Morais que diz que “mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações”. E com essas pessoas eu compartilho MUITAS recordações. Daquelas que me matam de saudade em uma madrugada gelada ou em qualquer dia que eu pense nelas.

Eu quero muito comentar sobre uma coisa.

Mas ela ainda não está resolvida.

E eu só falo sobre as coisas quando elas estão resolvidas.

É, melhor esperar.

Ui.

Há dias eu acordo e faço a mesma coisa: tiro as coisas que estão em cima da cadeira e as coloco em cima da cama. Sento na tal cadeira, ligo o computador e fico aqui (trabalhando, lendo, escrevendo, twittando e enlouquecendo) até a hora que eu percebo que estou atrasada pra ir pra faculdade. Pego ônibus,chego na Cásper. Vejo (ou não) as aulas. Volto da faculdade, como qualquer coisa que eu insisto em chamar de jantar e continuo a enlouquecer até 1 ou 2 da manhã. Recoloco as coisas na cadeira e vou dormir exausta.

Tô afogada na minha bagunça, nos trabalhos, nas provas, nos copos de água/suco/leite que eu esqueço de levar pra cozinha e no resfriado que veio me atormentar ontem a noite.

Tomei a decisão de que hoje vai ser o último dia. Já deu.

Vou desafogar esse quarto – e essa vida – e abrir a janela porque a primavera entrar e eu não quero que ela passe sem que eu perceba.

Amanhã estarei risonha e límpida.

Esse foi mais um post pessoal e semi-desesperado de Juliana Periscinotto, diretamente do quarto-do-meio, onde tuuuuuuuuudo pode acontecer. (Sim, acabei de relembrar Lucas Silva e Silva. Talvez eu esteja no Mundo da Lua e não tenha percebido).

Quase sem querer, hoje eu vi um vídeo da música A briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel parte 2 – 30 anos depois.

Eu sou curiosa demais e, se estava escrito PARTE 2, é porque tem a PARTE 1. Fui procurar.

A música original foi escrita por Tom Zé em 1972, e é um diálogo – ou uma briga, como diz o título – entre o Hilton Hotel e o Edifício Itália. Já parte 2, feita 30 anos mais tarde, fala que, apesar das picuinhas entre o Ed. Itália e o Hilton, “no céu de São Paulo quem reina é o Copan”.

Talvez não faça muito sentido pra quem não conhece o centro da Paulicéia muito bem, mas quem conhece pode dar boas risadas com as letras bem humoradas.

Parte 1:

Parte 2:


Achei essa briga predial musicada bem divertida e resolvi postar. Abaixo tem uma foto dos três prédios, que eu tentei toscamente identificar pra quem não os conhece.

Faz séculos que eu não posto aqui. Tá. Faz um pouco mais de 2 meses. Preciso parar de ser exagerada.

Entre a última postagem e hoje eu fui pro Canadá, as aulas foram adiadas por causa da tal gripe suína, as aulas voltaram (e a minha loucura-com-duas-faculdades também), fui em 4 shows da Maria Rita e outros shows de muita gente boa (foram muitos mesmo, não vou lembrar todos) e fiz outras tantas coisas menos interessantes.

Ai hoje, em plena semana de provas e entrega de mil trabalhos, me deu uma vontade louca de escrever aqui. Ai eu vim. Mesmo tendo um texto pra enorme pra escrever sobre um livro que eu não li, eu vim. Preciso aproveitar essas vontades repentinas… nunca se sabe quando eu vou ter vontade de novo.

O post não diz nada com nada, mas vou postar mesmo assim.

Quando eu tiver uns 30 anos e resolver ler meu falecido (ou não) blog, eu vou lembrar desse dia cinza de São Paulo em que eu fiquei de pijama até as 5 da tarde pra tentar escrever o tal texto sobre o tal livro e me deu vontade de postar no blog.

Arrivederci.

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